Curtas
 
Quando não há palavras: imagens
 

 

agosto 14, 2009


Born room


Onde existe um espaço intermitente no processo regular que faz passar os dias e as estações, encaixam bem os arautos que se desviam na diagonal dos ponteiros dos relógios e que, apesar de manterem toda a regularidade na passagem dos dias e das estações, conseguem dar um toque colorido (vá, com 2 ou 3 tons de cinzento que seja) a esse mesmo espaço.


abril 21, 2009


6348 Km por hora


vento.JPG

É confortável assumir que a velocidade de tudo o que se passa à nossa
volta é suficientemente rápida para mascarar os nossos passos em falso.
Quando tudo parar de girar o que fica são apenas espaços vazios, que
nem toda a areia de todas as praias de todos os países com mar chegaria
para encher.


fevereiro 22, 2009


Colina


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Não tenho palavras, mas tenho ruas para tentar subir e chegar a algum lado.


dezembro 31, 2008


Adiamento de passagem de ano


Vamos lá dobrar mais uma esquina...


dezembro 14, 2008


Formação Profissional


batman.jpg 

Por motivos de autosuficência das vítimas urbanas, os heróis estão fora de moda.


fevereiro 01, 2008


Comentário


Antes de começar a fazer sentido, é melhor relembrar às criaturas que têm o infortúnio de aqui vir parar, que o mundo é um banco de madeira do ikea com bicho.


setembro 12, 2007


Bagagem


car_key.jpg

Vou pegar nas chaves do teu carro e esconder o que não me apetece fazer
na mala, junto com os sapatos que lá costumas deixar. Pode ser que essas
coisas, as que
não me apetecem fazer, ganhem pernas para andar.


maio 25, 2007


Prioridades


river.jpg

As palavras estragam tudo. Por isso, não digas absolutamente nada, a ninguém.
Senta-te numa paragem de autocarro qualquer à espera que passe um cacilheiro
e pensa que, melhor do que percorrer uma enciclopédia à procura de espaço para aninhar
uma ideia ou duas, é preferível contar as remadas que faltam para chegar ao pé do rio,
as formigas que partilham as tuas bolachas e pesar a areia que irremediavelmente
se mete nos sapatos.


maio 10, 2007


Old


viena.jpg

Em vez de contar as campainhas das portas da minha rua ou correr e ladrar atrás dos carros, prefiro gastar o meu tempo a pensar em ti.


abril 30, 2007


Coerência


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Saí pela porta mais próxima e tomei o rumo que esqueci no bolso das
calças.
Se estiveres do lado de fora, do lado esquerdo de qualquer coisa
grande, ou
do lado direito de qualquer coisa inquietante, entro, fecho os olhos
e conto até
dezanove mil.


fevereiro 25, 2007


Sal


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Se inverter a solução salina que sai dos olhos e deixar de ver o céu vidrado
de incertezas, passo concerteza a outro nível de definições ligeiramente
menos mediocres do que é viver.


janeiro 27, 2007


Bla


Com a indecente vontade de mudar o mundo, declaro abertas as hostilidades contra os poderes instituidos de tudo o que existe pelo simples facto de existir. Abaixo todas as instituições, institutos e associações de coitadinhos. Se vamos ser coitadinhos, sejamos todos no recanto dos nossos lares. Se ainda os tivermos.


janeiro 24, 2007


Civil


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Ontem não me lembrei de construir alguma coisa de útil à sociedade.
Por isso, hoje, fui à praia buscar um bocado de areia nos sapatos para
ver se começo qualquer coisa. Tipo um estádio, um hospital ou um centro
de reciclagem de profissões falhadas. Não sei qual vai ser a dimensão, mas
penso adoptar o estilo estado novo invertido: pequeno na fachada e
grande na realidade.


janeiro 15, 2007


Travão


brakes.jpg 

Vou puxar o travão da memória e derrapar um século ou dois para
chegar mais depressa até ti.


janeiro 09, 2007


Tédio


teddy.jpg

Tenho a sensação que não percebo absolutamente nada do que as pessoas dizem e muito menos do que querem dizer. Fico-me pelo compromisso de
gestão diária de uma existência fraudulenta, compactuante com os desalinhados, promíscua com as ideias que não chegam a sair da minha cabeça mas combatente com os conformismos a longo prazo.


novembro 07, 2006


Cadência


tik.JPG

O tempo e as palavras
não passam de morfina de má qualidade.


novembro 01, 2006


Perpétuo


lux.jpg

Neste teu mundo cabem todas as palavras que ainda não foram ditas, todos os desejos repetidos ao limite da imaginação e um saco de berlindes transparentes,
com cores que variam entre o azul dos meus dias e o sabor da tua cor.


outubro 20, 2006


Método


matri.jpg

No meio de tantas letras, o teu nome dá-me vontade de inventar novas palavras.


outubro 11, 2006


Human


luna.jpg

Não cresças: fica sempre com esses olhos indecifráveis de afecto e
vontade de devorar o mundo de uma vez. E, sobretudo, não aprendas a ler.


outubro 05, 2006


Walk


IMGP4265.JPG

Vou sair, esconder-me na bicicleta e fotografar esta cidade impaciente,
que tem medo que o fim de semana prolongado acabe antes de começar.
Vou sair, mas já volto.


setembro 21, 2006


3*10+3


trintatres.jpg 

Apetece-me prolongar a agonia destas trinta e 3 palavras até ao limite do
possível, sem que nenhuma delas morra, mas que nenhuma, em momento
algum, diga alguma coisa que valha a pena ouvir.


setembro 14, 2006


Melancholic Hipo


hip_hop.jpg

Sinto pouco pela manhã
e grito como posso
o entardecer dos dias
Quero arrancar azul do céu
para escrever no vermelho dos teus lábios
poesias


agosto 22, 2006


Mirror Conspiracy


shadows.jpg

Nas repetições não premeditadas das mesmas acções existe uma certa
pureza  informal, positiva,  que  se  assemelha a um espelho sem reflexo:
quem olha directamente para ele, não vê absolutamente nada; quem fecha
os olhos ou olha para outro lado qualquer, vê o reflexo exacto da sua ausência.
Por isso, meu caro amigo, é bom que olhemos uns pelos outros.


agosto 17, 2006


Semelhança


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As palavras e os batráquios são muito parecidos: fazem muito barulho,
e não querem dizer absolutamente nada.


agosto 04, 2006


Óbvio


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O tempo passa macio e instável, como quando se anda em pé em cima
de um colchão. O colchão, por sua vez, desliza lateralmente na esquina
cortante dos ponteiros de todos os relógios do mundo.
É apenas e exactamente por isso que o tempo passa mais depressa do
que a saudade. 


julho 21, 2006


Blind copy (Bcc)


Entretanto,  enquanto o  tempo passa mas  finge  não acabar,
inventam-se fantasmas de pessoas que ainda não morreram.
A  visão  duplica os afectos e as  percepções;  umas  sentem
aquilo que  não existe para sentir; outras,  sentem as  marcas
cravadas na  pele do que não tem imaginação para existir.


julho 19, 2006


Core business


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O que realmente importa não são as conversas pseudo-profundas sobre
o  estado  das coisas  científicas  ou  dos  amores/desamores  militantes;
O que importa  realmente... Se está fresca, se tem  gás e se está dentro
do prazo de validade.


julho 01, 2006


Lx


lis.jpg 

Tu és um espaço premeditado de incertezas, em que tudo se passa e
nada acontece. Que tal tirares umas aulas de natação e, enquante ele
existe, mergulhares no rio que está à tua frente?


junho 08, 2006


Time out


tim.jpg 

Não tenho tempo para ficar tanto tempo à espera de mais tempo.


maio 24, 2006


Aos místicos e a ti Martinho


Hoje não foi um dia como outro qualquer. Abracei o meu irmão, joguei matraquilhos num hipermercado e senti-me feliz.


abril 08, 2006


Tu


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Dá imenso jeito estares longe e imaginar que todos os teus defeitos são
virtudes.  A  saudade  nasce  do  que  não   existe  e o  tempo inverte os
ponteiros do relógio para te voltar a ver.


março 30, 2006


Oposto


calle.jpg
Estou no oposto da imagem que vejo quando fecho os olhos. As canetas
aqui escrevem azul e no oposto o azul escreve-se com lápis número dois.
Aqui ri-se da desgraça dos outros, no oposto ri-se da nossa própria desgraça.
Aqui, espera-se que o tempo passe até termos que esperar que passe outra vez.
No oposto passa-se o tempo a correr, com medo que acabe.

Aqui, não quero estar. No meu oposto não sei.


março 26, 2006


Errata


Escrevi aqui em tempos umas linhas sobre passar a ponte sobre o Tejo... É tudo mentira. Nem ele deixou uma rosa no tapete, nem ela gostou da rosa que ele não deixou.

março 21, 2006


EkdahL


lisa.jpg 

Uns usam para viajar, outros para acordar bem disposto. De qualquer
forma, quando se deixa o céu para trás, tanto faz estar acordado ou a
dormir.


março 16, 2006


Queda


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Margaridas pelo ponto de vista de uma perita em quedas de bicicleta.
(Se algum dia cair, quero cair ao pé de ti).


março 14, 2006


Tinta


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Perdi a cor da minha memória e não me consigo lembrar do nome com
que quero pintar as  paredes. Já lhes perguntei, mas elas, resignadas a
uma  monotonia  cromática  quase  secular,  deslumbraram-se  com  a
pergunta e enlouqueceram. Aos tectos, não vou permitir a escolha, para
que não lhes aconteça o mesmo.


março 13, 2006


Birra


IMGP5365.JPG

Não vou.


março 10, 2006


Odisseia



slow_down.jpg 

Não estou de passagem. Vou ficar uma eternidade ou duas a pisar as riscas
brancas e o espaços  de alcatrão. Quando  passares por aqui outra vez, não
te importas de me trazer um cd com músicas novas para ouvir?

Obrigado.


março 07, 2006


Devagar


slow.jpg

Um  copo  de  paciência  e  inspiração  dava  jeito  agora.  Não  consigo
misturar as cores  nem combinar as  coisas que, antes  de estarem, já
estão usadas.


fevereiro 25, 2006


Xerox


mary_rosa.jpg

Hoje não existem palavras. A imagem tem que, obrigatoriamente dizer
tudo, se é que ainda existe alguma coisa que valha a pena repetir. Por
acaso, agora que falo  em repetição,  o Sol,  o céu e um cabelo cor de
rosa ao vento é multiplicável.


fevereiro 24, 2006


Inclinação


ceu.jpg

O mundo está torto.


fevereiro 23, 2006


Maria Rosa Mar


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Sem inspiração.


fevereiro 16, 2006


Facto


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Onde não existe tempo, não existe saudade.


fevereiro 08, 2006


Toca a banda


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janeiro 26, 2006


43 g


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Tenho   43 gramas.  Muitos  excessos  e  vícios fizeram-me  assim. Mas
ainda há esperança. Quando  inventarem transplantes de cérebro,  pode
ser que alguma maçã reineta esteja farta de ser saudável e queira trocar
com um cérebro viciado em vícios.


janeiro 17, 2006


Shutdown


shut_down2.jpg

Por vezes apetece-me apagar a luz e tentar dormir durante um século
ou dois. Pode ser que quando acordar, já tenham inventado máquinas
de cortar fiambre portáteis.


janeiro 09, 2006


Fila


fila.jpg

As amizades fazem-se em fila indiana.


janeiro 04, 2006


Errar é humano


errante.jpg 

Quando se  anda  em cima de linhas tortas, corre-se o risco de magoar
os sapatos.


dezembro 06, 2005


Rotina


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Sinto-me preso ao tampo da mesa onde pouso o meu copo.


dezembro 04, 2005



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dezembro 02, 2005


Percurso


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O  monstro que chegou ao cimo  da colina  antes de ti reparou  que não
vale a pena subir.  É por esta razão que se encontram  pessoas:  umas
vão  enganadas  a  subir, outras  descem desiludidas... No meio, está a
podridão da virtude.


novembro 24, 2005


Vidro


copo.jpg 

Palavras  que  não  cabem  num   copo
e fazem transbordar gotas sem sentido
São   etílicas   à   noite  e  pela   manhã
condensam cansadas num livro.


novembro 06, 2005


Rota


desce.jpg


                O teu cansaço é a minha regra.


outubro 04, 2005


Mapa


tric.jpg

Arrasto-me  pela rua  principal desta cidade e e não sei onde estou. Não
consigo   fazer o  mapa  das  minhas  memórias   sem  bloquear  o  que
realmente preciso de cartografar: as armadilhas dos caçadores furtivos
do tempo dos outros e um ou outro relevo mais acidentado.
Recordo  vagamente  lugares onde  me  perco  e  instintivamente, como
uma  toupeira  a  esburacar a terra,  procuro  sofregamente  repetir esse
processo de perdição.


setembro 30, 2005


Migalhas


grass.jpg 

Hoje em dia, os espaços quadriculares com alguma relva recordam-me
espaços  triangulares  com  migalhas  de  bolachas que  estiveram uma
semana no bolso esquerdo da mochila.


setembro 27, 2005


Acrobacia


copos.jpg

Vou encher uma mesa com copos. Vou encher os copos com duzentas
e 30 e  nove  gotas. Vou  pegar  no lado esquerdo  da mesa  com a mão
direita, dar uma volta sem derramar o líquido que está dentro dos  copos
esperar que congele,  numa era  glaciar ou duas.  Depois, deixo derreter
ao Sol e  conto novamente  as gotas  dentro dos copos.  Se estiverem a
menos, a culpa é tua; Se estiverem a mais, a culpa é tua;  Se estiverem
exactamente as mesmas, a culpa é das gotas.


setembro 21, 2005



putrefacto
artefacto
tacto
acto
to
tu


setembro 07, 2005


bla


hoje nao me apetece absolutamente nada.
a não ser trocar a minha inexistencia de desejos pelo desejo de ser só feliz.


agosto 30, 2005


Centro Comercial


red_light.jpg 

Corta  na primeira à  esquerda e quando  chegares ao semáforo, desliga
o motor. Pede uma imperial e um prato de moelas. Come, fala de futebol,
dos incêndios e dos bons dias de praia que fizeste e, quando o semáforo
te responder, tenta vender-lhe o carro por um bom preço.



Dê Sangue


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Neste estabelecimento, temos sangue para todos os gostos. Até para ti,
arauto:
- "A dor!!!! A dooor é importante!!!Aaaaaaaaagagaahhahaaaah!!!!"


agosto 26, 2005


Copo


drops.jpg 

Demoras sempre mais do que devias a chegar. Hoje, para variar, não vou
esperar por ti. Vou beber uma imperial, contar os copos da mesa do lado
e sonhar com o segundo planeta a contar do meio. Aquele que não tem
mesas e muito menos copos.


junho 26, 2005


Connections


connections.jpg


É um mundo complexo onde vivemos.... Mas pode ser extraordinariamente
simples :  basta  ligar os quarenta  e dois  mil  novecentos e vinte  e 3  fios,
falar quarenta e 4 línguas e parar nos sinais vermelhos.


março 25, 2005


Alto mar


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Conheço Goa, Moçambique e muitas outras terras. Sei falar línguas, que
vocês nem sabem o nome... Sou marinheiro mas deixei, há muito tempo,
de saber para que lado fica o mar.


janeiro 18, 2005


Gasto


bat.JPG 


Para além de não me lembrar do que quero escrever, estou sem bateria.


agosto 11, 2004


Pressa


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O homem não via as riscas da passadeira. Procurava, corria o passeio e nada. Queria chegar ao outro lado, mas simplesmente não via por onde passar. Estava com pressa, tinha notícias para dar e receber. Desesperado, chocou com uma mulher que, tal como ele, queria atravessar e não sabia como. Pararam. Ela disse: - anda!
Deram as mãos, atravessaram. Até meio. O camião que os desfez não fez por mal. Mas também estava com pressa. De chegar a qualquer lado.


julho 09, 2004


Direcções


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Se seguires pela avenida principal da cidade, chegas a uma praça, onde anda uma estátua a correr de um lado para o outro. Quando lá chegares, pergunta ao terceiro candeeiro apagado a contar da esquerda se não se importa de te fazer companhia enquanto eu me perco, à procura de outra praça qualquer.


junho 17, 2004


Espaço


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Deixei o tempo em casa, dividido entre a segunda e a terceira gaveta do lado
esquerdo da secretária. Não me apeteceu traze-lo desta vez. Tinha pouco espaço nos bolsos. As chaves de casa, do carro, a carteira, o telemóvel e a máquina fotográfica deixaram-me sem espaço para o tempo. Agora, que já gastei as chaves e a bateria do telemóvel, trocava de bom grado a decisão anterior e teria posto no bolso um bocado de tempo. Um que passasse sem me obrigar a pensar nos outros já gastos e nos que ainda provavelmente tenho para gastar.


junho 09, 2004


Incidente


bug_four.jpg 

Bati no pára brisas da tua memória e esqueci-me do que queria escrever.


maio 20, 2004


Indecisão


eternidade.jpg

O tempo estava indeciso. Não sabia se queria convidar um copo para
beber um inimigo ou ir jogar rugby com a cabeça de um bicho morto. Estava a tentar arranjar maneira de conciliar as duas coisas, quando encravou uma avenida de trânsito e fez chorar 14 crianças sentadas nas cadeiras dos carros das mães. Alertado pelo som das buzinas e do choro abafado que batia nas janelas fechadas por causa do ar condicionado, fugiu para uma rua perpendicular, esquecendo na passadeira a culpa do momentâneo caos que deixou para trás. Afundou-se na sua indecisão e ficou uma eternidade sentado no passeio, onde não passava ninguém.


maio 17, 2004


HumaNature


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Engraçado o vosso mundo... Não têm plástico a envolver-vos, mas
têm sentimentos. Choram, apesar de vos ensinarem que "boys don't cry". Sorriem para quem não gostam e discutem com quem mais vos ama. Talvez seja um defeito cromossomático, corrigível daqui a seis ou sete gerações. Estarei cá para ver.


maio 13, 2004


Invisível


Hoje não tenho imagens. Ou melhor, tenho todas as imagens do mundo. Por isso não quero imaginar estas palavras. Ficam só palavras e mais nada. Palavras e raiva. "Se não sabes onde vais, porque teimas em correr, eu não te acompanho mais."
Foda-se.


(e outro invisível)


maio 11, 2004


Poção Mágica


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Quero forçar as palavras a sair, porque as imagens não saem
da minha cabeça. Da minha cabeça e do meu desktop. Já não me entento com tantos recortes de tempo. Entre a família, bichos, flores e urbanidades banais, escolho hoje uma tijela de sopa.
Mas não é uma sopa qualquer. Tem poderes sobrenaturais:
Basta um bocadinho para conseguir passar mais uma semana a fazer coisas que já não me consigo lembrar lá muito bem porque as tenho que fazer.


maio 07, 2004


Phantom Escape


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Amanhã não vou trabalhar. Vou a esta estação, compro um bilhete
para uma terra com um nome giro e lá vou eu. Ao chegar, bebo uma imperial e procuro os doces regionais lá do sítio. Arranjo maneira de me apoderar da receita, abro uma pastelaria e bebo mais imperiais. Quando conseguir poupar algum dinheiro, o suficiente para comprar o bilhete de volta, venho visitar a família. Depois, começo tudo outra vez, mas de barco.


maio 04, 2004


Taste Time


Taste_time.jpg 

Tudo acontece tão depressa que, por vezes, deitamos fora bocados de tempo sem sequer o termos usado. Por educação, por receio do tempo consequente ou  ainda por tempos passados. As horas tornaram-se mastigáveis, mas difíceis de engolir. E só quando nos atrasamos um pouco no corropio diário do dia, e ficamos para trás parados num banco qualquer, é que nos apercebemos da estupidez que é tudo isto.
Quem me dera poder trocar de valores como quem masca uma pastilha... Para quê ser um Jeckyll, quando se pode ser um Mr. Hyde?


abril 27, 2004


As palavras


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As palavras? Não estão. Aqui apenas aromas, odores e carícias...

                          
copulavocabular.blogs.sapo.pt

(obrigado sybilla)


abril 24, 2004


Saudade


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Apetece-me beber um copo cheio de palavras, mas daquelas que nos fazem
sentir bem. Não me apetece beber coisas como sangue, rasgar ou putrefacto. Também não quero morte, guerra ou, principalmente, Saudade. Estou farto de Saudade. Foda-se, também não quero política nem futebol. Quero drogar-me com palavras de um livro infantil de segunda categoria, daqueles que são vendidos num hipermercado, a 30 metros das laranjas e alfaces, e que provavelmente têm erros ortográficos. Quero o que a maioria das pessoas já esqueceu que existe.


abril 21, 2004


Enfant Terrible


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Ocorreu uma normalização da infância. Todos os brinquedos, sorrisos e
dúvidas foram reduzidas após um estudo estatístico sumário. Desvios padrões e médias bastaram para passar o universo infantil de gigante a formiga. Ainda houve alguma reacção, não organizada, que resultou numa curta mas sangrenta guerra civil. De nada adiantou, e em pouco tempo a revolta foi sanada. Hoje, pela calada, fala-se de seis heróis que escaparam à ordem de régua e esquadro e vão voltar, um dia, para nos devolverem a possibilidade de voar sem asas, como uma criança fazia "antigamente"...


abril 15, 2004


SPOT


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O cão decidiu passear sobre Lisboa. Literalmente sobre. Pediu boleia a um satélite simpático que ia a passar e lá foi ele, voar por cima das ruas e avenidas lisboetas. Parou no Marquês e viu uma multidão de carrinhos de choque que andavam furiosamente às voltas na rotunda, parecendo não encontrar a saída. Para tirar esse imagem angustiante da cabeça, saltou no Tejo, que lá de cima, parecia surpreendentemente azul.


abril 13, 2004


Vida de Cão


super_dog.jpg 

O mal da passagem de ano, dos casamentos e dos jantares armados em finos é comum: Não são, vá-se lá saber porquê, muito compatíveis com cerveja. Alguém me sabe dizer o que este líquido tem de tão fabuloso?...


abril 06, 2004


Manif


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Um olhar mais desatento pode confundir isto com um parque
de estacionamento. Longe disso. Isto é uma manifestação. Os carros estão revoltados porque se aproxima a Páscoa e não querem ir para o Algarve ou para o Minho: querem ficar a dormir até mais tarde e talvez ir beber um copo com os amigos. Alguns ainda aceitam ir, mas com uma condição: no regresso, não querem carregar batatas e galinhas (vivas ou congeladas).


abril 05, 2004


T zero


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Adormece aí e és capaz de ter que acordar mais cedo... Se me apetecer cumprir as regras, levo a gravata e preciso desses sapatos. O objectivo é simples: trabalhar
- ganhar dinheiro - comprar-te ração - "morrer cedo e deixar um belo cadáver". Vá, vai lá dormir para outro sapato...


abril 02, 2004


LiSBOA


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Lisboa permanece uma fantástica aldeia onde as pessoas insitem em fingir que não se conhecem. Talvez por se esquecerem, à noite, do que se passou durante o dia, ou de dia, que a noite passou por elas. Não temos poção mágica nem somos, de facto, irredutíveis, mas acho que tão cedo não vamos desaparecer. Mas ainda há esperança: Uns quantos seres respirantes, de vez em quando, sorriem e, imagine-se, dizem bom dia.


abril 01, 2004


Vespa Mercúrio


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De vez em quando ainda penso que há vida noutros planetas. Talvez não tão avançada como a nossa, com carros, estádios, motas, aviões, máquinas de cortar fiambre, barcos, acidentes, comboios e montanhas russas. Se calhar só com carrinhos de mão e uma ou outra bicicleta.

 


março 30, 2004


24 Horas


lights_out2.jpg

Uma última imagem antes de dormir.
Vou apagar a luz de mais um dia que não percebo bem porque passou.

março 29, 2004


Secret Garden


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Há um jardineiro fantasma que cuida dos jardins de Lisboa. Não os rega nem aduba. Deixa isso para os seus colegas respirantes que vestem de verde e o fazem durante o dia. Ele trabalha quando o Sol se põe. Vai ter com as flores e, individualmente, pede desculpa pelos 123.435 carros que passam e poluem o ar.
Pergunta-lhes como correu o dia e despede-se com um carinho, tão importante como a água que lhes chega às raízes.


março 28, 2004


A Virtude do Meio


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Voltei a atravessar a ponte. A vermelha. Sobre o Tejo. A vontade não era propriamente trocar de margem, era mais ficar indefinidamente em cima do tabuleiro. Talvez abrir um restaurante panorâmico. Nada luxuoso. Teria uma banca de cachorros e uma televisão grande para ver a bola. Assim, quem quisesse, em vez de estar nas filas com vontade de matar o condutor do carro da frente, podia fazer uma pausa, apreciar a paisagem e beber um copo.



Revolução


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Houve uma revolução secreta no meu quarto, enquanto dormia. Se calhar não foi silenciosa, mas não dei por nada. Os cd's resolveram reorganizarem-se, muito provavelmente influenciados pela prolongada repressão a que os sujeito.
Na cronologia desta revolução, podemos definir dois movimentos distintos: um mais moderado, em que os cd's apenas trocaram de caixas. O BB King acabou por ficar no best of dos Wham, os The Black Crowes ocuparam a caixa dos Mind da Gap e por aí fora; O segundo período, mais radical, foi quando as músicas decidiram mudar de cd propriamente dito: O Fragments of Freedom, dos Morcheeba começa agora com o Jorge Palma. Deixa-me rir...


março 24, 2004


Banco de Dados


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Necessitam-se dados que de forma conclusiva nos façam perceber para onde vai o Universo. Para tal, estamos a requisitar voluntários que queiram contribuir para a produção de conhecimento científico.
Pretende-se alguém com experiência na arte de bem sentar e com ouvido apurado, para aquecer um banco e medir o som da relva a crescer.


março 20, 2004


Plastic Girl


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Encontro-me perfeitamente nova. Ainda ninguém brincou comigo. Nem sequer a senhora chinesa que me fez (a mim e às minhas 72.234 irmãs gémeas). Bem, o rapaz que me pôs o plástico sorriu, mas duvido que tenha sido por mim... Acho que era pelo cigarro artesanal com cheiro a chá que fumava na altura.
Depois disso acordei dentro desta caixa transparente e mesmo ao meu lado tenho um gajo chato como uma porta, que está sempre a dizer que vai dominar o mundo e que o Porto vai ser campeão.



A Margem Errada do Tejo


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Era uma vez uma ponte. Sobre o Tejo. Vermelha. Sabe muito bem passa-la durante a noite, quando os companheiros de travessia são, na maioria, noctívagos em busca dos prazeres da noite lisboeta, em vez dos habituais resignados "margem sul lovers", que adoram morar em Almada e que não a trocavam por Lisboa, mas teimam-no em fazer todos os dias da semana e, curiosamente, ao mesmo tempo.
Sabe ainda especialmente melhor porque estou a ouvir uma rádio que, para mim, é nova. Ainda não tem o travo completamente definido e cada descoberta ainda é positiva.
Revejo mentalmente as coisas que deveria fazer quando estiver a dormir de manhã e convenço-me de que a tarde chega perfeitamente para isso. Sou interrompido pelo som de uma sms a chegar do telemóvel. Com a destreza impulsiva comum aos condutores da era tecnológica, pego no telemóvel com uma mão e leio a mensagem:
"- Isto nao e normal. Tenho uma rosa no tapete de casa!" Deixo a ponte para trás e entro em terra firme a sorrir...


março 17, 2004


Dirty Flower


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Pisei, sem querer, esta flor.
Merecia, no mínimo, uma fotografia...
Agora que a revejo, percebo que não fiz nada bem feito:
nem a pisadela, pois continou bonita como era antes;
nem a fotografia, porque não transmite metade da beleza que ainda lá ficou...


março 16, 2004


I will rule the world!


i_will_rule_the_world.JPG

nheinc nhienc!
Procura-se emprego para ruler of the world.
Dão-se referências.
Experiência em anexação de pequenos países e ditaduras relativamente prolongadas.



Faster


faster.JPG


Hoje, quero que a noite passe mais depressa
Por isso acelero em direcção às luzes disformes
de um dia que ainda não sabe que vai chegar

Cruzo-me com outras luzes, em sentido contrário
desejosas que a noite não acabe
talvez a fugir de um dia que nunca deveria ter existido



Arauto Mor


Statue1.jpg 


março 10, 2004


Destilaria residente


O espírito eleva-se, chega mais perto do Sol,
e o calor faz destilar o alcool que lhe corre nas veias
A conversa torna-se etílica e outonal
e as palavras
              começam a cair
                  mais devagar que
                      as folhas amareladas
                            
por outros temas.


março 03, 2004


Maria Joana


joaninha.jpg 



Pronto-a-vestir


O teu sangue não me serve
já por duas ou três vezes o tentei vestir, mas fica-me curto.
No entanto, o teu pavilhão auricular acenta-me que nem uma luva.


Quando encontrar sangue aviso-te.



Casa de Pedra com internet


Vou concorrer a uma Câmara Municipal do interior e criar ovelhas e ter um cão. E fazer queijos. E plantar couves e semear milho. E plantar cenouras. E batatas. E vou me meter na política lá da terra. E vou ter mais um cão. E vou plantar alfaces e tomates. E deixo crescer a barba. E vou à missa ao domingo. E galinhas, vou ter galinhas também, mas coelhos não porque não gosto de coelho. E vou ter um arco porque sempre quis ter um. Com setas a sério. E vou ter uma casa de pedra com internet. E no telhado vou ter uma janela muuuuito grande para o Sol entrar directamente para o quarto  - que vai ser no sotão. E vou ter paineis solares. E vou ter mais um cão. E vou ter azulejos pintados à mão em tons de azul na casa de banho. Na cozinha vou ter uma lareira muito grande. E não vou ter amigos, porque vão todos achar que sou maluco. Por isso vou ter mais um cão. E vou ter uma aparelhagem muito grande para ouvir música. E vou ter uma televisão metida dentro de um armário. E vou viajar de mota. E vou escrever postais às pessoas. Ou aos cães, não sei ainda. Às galinhas não escrevo porque toda a gente sabe que não sabem ler.



Lixboa


 Ontem, Lisboa esteve bonita. Quero dizer, mais bonita do que o normal. Tinha mais Sol e menos pessoas.


fevereiro 28, 2004


Wake up call


dog_watch.jpg

AUURF!  Acooorda!



Representing a Ghost


Representing_a_ghost.jpg

Não estou onde ontem estava depois de amanhã.
Estou ligeiramente preso e, ultimamente, as semanas seguintes têm tendência a apanhar-me.


fevereiro 13, 2004


Local


Somos arautos de uma desgraça feliz
e aqui estamos, onde o tempo passa mais devagar.



Areia


Os tempos que passam deixam espaços vazios
apenas preenchidos por um bocado de areia nos sapatos
e um sorriso no olhar.


fevereiro 06, 2004


Desejo



não me apetece
deixa aí ficar num canto
o desejo

                deixa-me só.



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